Como interditar um idoso?

Saiba como proteger os interesses dos idosos através da interdição judicial
Rafael Magri 07/05/2024 Download PDF (225) Visualizações
Como interditar um idoso?

Índice

  1. O que é Interdição judicial do Idoso?
  2. Quando um idoso pode ser interditado?
  3. Posso pedir a interdição de um idoso?
  4. É possível interditar um idoso em cartório?
  5. Como interditar um idoso?
  6. Quais documentos necessários para interditar um idoso?
  7. Como deve ser o laudo médico para interdição do idoso?
  8. É obrigatório Laudo Médico para interditar idoso?
  9. Quem pode ser o curador de um idoso?
  10. O curador do idoso precisa prestar contas?
  11. Quanto tempo demora a Interdição de um Idoso?
  12. Quanto custa o processo de interdição um idoso?
  13. O que o idoso interditado pode e o que não pode fazer?
  14. É possível reverter a interdição do idoso?
  15. Eu preciso contratar um advogado especialista em interdição de idoso?



Com o aumento da expectativa de vida, é cada vez mais comum enfrentarmos situações em que idosos perdem a capacidade de gerir suas próprias vidas devido a condições relacionadas à idade. Este artigo explica como o processo de interdição pode ser uma medida essencial para proteger os direitos e a dignidade dos idosos.



O que é interdição do idoso?

O processo de interdição, que deve ser realizado de forma judicial, nomeia um curador para representar o idoso interditado, denominada curatelado. O curador é encarregado de gerir e executar os atos pertinentes à esfera civil em nome do idoso interditado.


Nesse contexto, a curatela de idosos representa uma forma de proteção legal destinada a indivíduos com mais de 60 anos que não possuem mais a capacidade plena de realizar atividades civis de forma autônoma, como por exemplo, compreender integralmente as cláusulas de um contrato, gerir suas finanças, entre outros.


É fundamental, no entanto, ressaltar que, apesar das limitações na esfera civil, os idosos mantêm o direito de tomar decisões pessoais, especialmente em questões que dizem respeito à sua saúde, ao matrimônio e a outros aspectos da vida que transcendem o âmbito civil.




Quando um idoso pode ser interditado?


Nenhuma pessoa será interditada apenas por ser idoso, por conta de sua idade!


Para entrar com um processo de interdição é fundamental que o idoso apresente uma incapacidade significativa de exercer suas próprias vontades de maneira consciente e autônoma, ou seja, que lhe falte o discernimento necessário para gerir seus atos civis.


Essa incapacidade pode se manifestar de diversas formas, como em casos de idosos que realizando gastos excessivos e desnecessários que comprometem sua estabilidade financeira (pródigos). Também inclui aqueles que são dependentes de substâncias tóxicas ou alcoólicas, bem como idosos diagnosticados com Alzheimer, demência ou que tenham sofrido sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) que afetem significativamente sua capacidade de discernimento.


Durante o processo de interdição, é crucial apresentar evidências concretas dessas condições, o que geralmente é feito por meio de um laudo médico detalhado e avaliações realizadas por peritos nomeados pelo juízo. Esses documentos e testemunhos são fundamentais para demonstrar a extensão das limitações do idoso e fundamentar a necessidade de nomeação de um curador que possa representá-lo legalmente.



Posso pedir a interdição de um idoso?

Segundo dispõe o Artigo 747 do Código de Processo Civil a interdição do idoso pode ser solicitada pelo cônjuge ou companheiroparentes,  pelo representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando ou pelo Ministério Público

Ou seja, essa são as pessoas que poderão entrar com a interdição judicial do idoso.




É possível interditar idoso em cartório?

Não, o processo de interdição do idoso deverá ser realizado de forma judicial tendo em vista a preservação dos direitos do idoso interditado. Atualmente não é possível realizar a interdição extrajudicialmente em cartório.




Como interditar um idoso?

O primeiro passo para iniciar o processo de interdição de um idoso é consultar um advogado especializado em Interdição de Idosos, que poderá orientar de maneira adequada sobre os passos a seguir e assegurar que todos os procedimentos legais sejam cumpridos corretamente.


Antes de proceder com a interdição, é fundamental comprovar de forma inequívoca a incapacidade do idoso de gerir o próprio patrimônio e assuntos pessoais. Para isso, é imprescindível a obtenção de um laudo médico ou psiquiátrico que comprove tal condição. A simples opinião de indivíduos não qualificados não é suficiente para convencer o judiciário da necessidade de interdição.


Uma vez confirmada a incapacidade do idoso, é preciso obter todos os documentos requeridos para dar início ao processo judicial.



Quais documentos necessários para Interditar um idoso?

Para iniciar a ação de interdição do idoso, é são necessários os seguintes documentos, que podem ser enviados digitalmente para o advogado:


  • Documentos do Requerente: RG, CPF, Certidão de Nascimento ou Casamento e Comprovante de Residência;
  • Documentos do Idoso Interditando: RG, CPF, Certidão de Nascimento ou Casamento Certidão de Nascimento dos filhos menores do idoso (se houver) e comprovante de residência;
  • Laudo Médico: A avaliação médica indicando especificadamente, se for o caso, os atos para os quais haverá necessidade de ajuda de terceiros, com o nº da CID e nome da doença é essencial para atestar a incapacidade, mas não é imprescindível caso a pessoa se recuse a visitar o médico;
  • Demais Provas: Solicitadas de acordo com as necessidades específicas do caso.



  • O que precisa ter no Laudo Médico para interditar o idoso?

    De acordo com o Artigo 750 do Código de Processo Civil o laudo médico requerido não precisa ser conclusivo, mas sim fornecer elementos indiciários que sustentem a necessidade de interdição do idoso. Assim, ele deve apresentar indícios que apontem para a presença dos requisitos necessários para a interdição, possibilitando, dessa forma, o avanço do processo.


    Neste contexto, o laudo médico não precisa afirmar de maneira explícita que o idoso está incapacitado para realizar os atos da vida civil. É suficiente que o médico descreva o tipo de incapacidade ou apresente evidências que sugiram tal condição.


    Por isso, não há motivo para preocupação se o laudo recebido não confirmar definitivamente a incapacidade. O objetivo é fornecer ao juízo indícios que justifiquem a continuação da ação de interdição




    É obrigatório Laudo Médico para interditar um idoso?

    Artigo 750 do Código de Processo Civil prevê a necessidade de apresentação do laudo médico para solicitar a interdição de um idoso. 

    No entanto, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que o laudo médico exigido pode ser dispensado se o interditando não concordar em se submeter ao exame.


    De acordo com a decisão judicial, uma vez que o propósito do laudo médico é fornecer indícios para verificar a viabilidade da interdição do idoso, é possível adotar uma abordagem menos rigorosa em sua obrigatoriedade. Isso, entretanto, não elimina a necessidade de apresentação de demais provas no decorrer do processo, incluindo a realização de perícia, a qual é medida obrigatória no processo.



    Quem pode ser o curador de um idoso?

    Durante o processo de interdição, caso seja reconhecida a necessidade de interditar o idoso, o juiz emitirá uma sentença determinando quem será o responsável pelo cuidado do idoso, conhecido como curador.


    É importante destacar que a pessoa que inicia a ação de interdição pode, de fato, ser nomeada curador, contudo, a curatela também pode ser atribuída a outra pessoa que, aos olhos do juízo, apresente melhores condições de atender aos interesses do curatelado.


    Assim, cabe ao juiz a decisão final sobre quem será nomeado curador, sempre considerando o bem-estar e os melhores interesses do idoso interditado.




    O curador do idoso precisa prestar contas?

    Sim, o curador — responsável pelo interditado — é obrigado a prestar contas. Isso se deve ao fato de que o curador será o responsável pela administração da vida e dos bens do idoso após a interdição.


    Consequentemente, a sentença proferida pelo juiz estabelecerá a periodicidade com que as prestações de contas devem ocorrer. Caso o curador não cumpra com essa obrigação, ou a execute de maneira inadequada, o juiz pode substituir o curador, visando sempre proteger os interesses do idoso interditado.



    Quanto tempo demora a Interdição de um Idoso?

    É impossível prever com exatidão o prazo para a conclusão de um processo judicial de interdição de idoso, visto que diversos fatores influenciam sua duração. Entre eles, destacam-se a localidade onde o processo é conduzido, o juiz responsável e as particularidades do caso em questão. Em geral, o processo para interditar um idoso e obter a curatela definitiva pode variar de 1 a 2 anos. Contudo, a necessidade de realizar perícias detalhadas e ouvir testemunhas pode prolongar esse período.


    Por outro lado, em situações de urgência comprovada, é possível obter uma curatela provisória em poucos dias após o início da ação de interdição. Essa medida temporária visa garantir a proteção do interditando enquanto o processo de curatela definitiva segue em tramitação..




    Quanto custa o processo de interdição um idoso?

    Os custos do processo de interdição e curatela do idoso podem variar significativamente, dependendo de fatores como a complexidade dos atos judiciais, a necessidade de perícias e o número de partes envolvidas. Além disso, pessoas que se qualificam para a assistência judiciária gratuita podem ser isentos dos custos processuais. No entanto, ainda podem incorrer em despesas com honorários advocatícios, a menos que optem por serviços prestados pela  Defensoria Pública, que oferece representação legal gratuita para aqueles que comprovarem insuficiência de recursos.



    O que o idoso interditado pode e o que não pode fazer?

    A interdição pode ser classificada como total, também conhecida como absoluta, ou como parcial, frequentemente referida como relativa.


    Na interdição absoluta, o idoso interditado é completamente impedido de realizar qualquer ato na vida civil. Isso inclui administrar seus bens financeiros, contrair matrimônio, assinar contratos, entre outras atividades, dada a avaliação de que não possui capacidade para gerir seus próprios interesses.


    Por outro lado, a interdição parcial, ou relativa, permite que o idoso interditado ainda possa realizar certos atos na vida civil para os quais foi considerado capaz. Neste caso, suas ações são limitadas conforme estabelecido na sentença judicial, garantindo que ele possa manter alguma autonomia em aspectos específicos da vida civil nos quais ainda retém capacidade suficiente.



    É possível reverter a interdição do idoso?

    Simé possível solicitar o levantamento da curatela quando a causa que justificou a interdição de um idoso terminar. Isso implica que, se a condição que levou à limitação de capacidade do idoso não mais existir, ele pode recuperar a plena autonomia para administrar sua vida civil, sem a necessidade de um curador, é o que diz o Artigo 756 do Código de Processo Civil.


    Para reverter a Interdição, é essencial apresentar ao juízo provas concretas da recuperação das capacidades do idoso interditado, geralmente por meio de um laudo médico atualizado que ateste a melhora significativa ou a total recuperação de sua autonomia.


    Portanto, o levantamento da curatela ocorrerá somente após a verificação judicial de que a causa que motivou a interdição deixou de existir, restabelecendo assim os direitos civis do idoso.



    Precisa de advogado para interditar alguém?

    Sim, é obrigatório a contratação de advogado especializado em Direito de Família regularmente habilitado na OAB para  solicitar a interdição de um idoso de forma adequada e eficaz.


    Tendo em vista que o processo de interdição é complexo, que envolve avaliações delicadas sobre a capacidade civil do idoso, o apoio de um profissional especializado é crucial.


    Recomenda-se procurar um escritório de advocacia especializado nos direitos da pessoa idosa. Esses profissionais possuem a experiência necessária para orientar sobre os procedimentos adequados e garantir que todas as etapas do processo sejam cumpridas de maneira eficaz e ética. Se você acredita que a interdição é necessária, não hesite em buscar o auxílio de um advogado qualificado nessa área!

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